Cassação do Registro Partidário do PT
Quando o Presidente da República,
o ex-tesoureiro do PT e o ex-Secretário-Geral
do Partido afirmam em público na mais ampla rede
de televisão do Brasil que o PT como
todos os outros partidos (SIC) pratica
o caixa 2, movimentando um montante escandalosamente
elevado de recursos por fora do que foi
declarado ao TSE estão confessando a prática
de crime eleitoral que, embora já prescrito,
portanto não mais suscetível de cassação
de políticos assim eleitos, deixa o Partido (dito)
dos Trabalhadores numa situação delicadíssima.
Tanto que as lideranças do PSDB e do PFL entraram
com recurso ao TSE solicitando a cassação
do registro do PT. Há uma possibilidade concreta
de que o registro seja efetivamente cassado. Neste caso,
com a popularidade ainda inexplicavelmente alta, Lula
teria até outubro próximo para filiar-se
a algum outro partido para pleitear sua reeleição.
É um cenário paroxístico mas
infelizmente não longe do horizonte dos possíveis
no Brasil.
Dita esquerda do PT já pensa em organizar
outro partido
Alguns parlamentares da chamada esquerda
petista, talvez temerosos de que o lamaçal de
seu próprio partido e do governo que tanto apóiam
perca o registro no TSE e/ou se torne efetivamente antipatizado
pela opinião pública, deixando de ser
útil a seus projetos políticos individuais,
que eles já não enganam a ninguém
com seus discursos de esquerda convalidando a perpetuação
de um governo direitista, estudam a criação
de outros mecanismos de luta para representar os interesses
dos trabalhadores, nas palavras do deputado Orlando
Fantazini. Estes hipócritas oportunistas escolhem
mal demais o momento. Há mais de dois anos venho
concitando as lideranças e parlamentares petistas
que conheço a que deixem um Partido que, há
quase 3 anos, de fato, deixou de representar os interesses
da Classe Trabalhadora. Joguei pérolas a porcos
e somente agora que o barco afunda afetam dar-me ouvidos...
Se a chamada esquerda petista se afastar
justamente neste momento do Partido, estará mais
do que provado que:
_ Não existe esquerda petista.
_ Estes parlamentares são casuístas e
navegam ao sabor das ondas.
Se ousaram apoiar a política econômica
de Meirelles e Palocci ainda mais rigorosa que
a do FMI , se ousaram apoiar um governo que tira
tanto dos pobres para dar aos ricos ao longo de quase
três anos, não são de esquerda.
In dúbio, pro réu. Se querem manter a
aura de impecabilidade ética, que se afastem
do PT, mas se afastem pelo menos por quatro anos da
vida pública também, a fim de repensar
sua inserção. Não sendo assim,
esta nova ferramenta que Fantazini defende
seria mero casuísmo.
Armação ilimitada
Há duas semanas aconteceu um episódio
sui generis na história de nosso país.
A TV Globo, empresa que, de tão endividada com
o BNDES se transformou numa espécie de paraestatal
porta-voz oficial do governo brasileiro, abriu suas
objetivas e microfones sucessivamente a Marcos Valério
(o publicitário sem formação acadêmica
alguma), a Delúbio Soares (o professor de matemática
do ensino fundamental que tem até fazenda dotada
de aeroporto de grande porte) e a Lula da Silva (que
comprou um avião novo com o dinheiro que deveria
ser usado para reaparelhar a FAB e falou de Paris, fugindo
dos jornalistas brasileiros sérios sabe-se lá
por que motivos).
Os três contam a mesma história. Negam
que haja qualquer articulação entre eles
no afã de buscar maior credibilidade. Mas vejamos:
Lula gravou a entrevista na sexta-feira e, no mesmo
dia, Marcos Valério apresenta a versão
tomada de dinheiro emprestado para cobrir gastos
de campanha ou formar um caixa 2 na campanha eleitoral
petista, versão repetida no sábado
por Delúbio Soares (o mesmo Delúbio que,
chorando em Goiânia queixava-se de estar sendo
vítima de um suposto complô das elites),
versão repisada ipsis literis no domingo quando
da apresentação da entrevista presidencial.
Coincidência? Muita coincidência, não?
Naturalmente foram instruídos, os três,
pelo mesmo advogado e a estratégia é clara:
transformar os crimes que vêm à lume: corrupção,
lavagem de dinheiro, formação de quadrilha
e apropriação privada de recursos públicos
em mero crime eleitoral já prescrito
pode ser uma prática jurídica muito boa,
mas como encaminhamento político, além
de levar o Presidente Lula ao cerne da crise em que
ele mesmo mergulhou o Brasil, deixa o Partido (dito)
dos Trabalhadores numa situação delicadíssima
podendo, no limite, ter o seu registro cassado junto
ao TSE.
Práticas diversionistas
1. Caso DASLU e outros. Em primeiro lugar, deixemos
claro que a mera existência de um Templo de Consumo
de alto luxo ao lado de uma favela, num país
com tantas e tamanhas desigualdades e tanta injustiça
social como o Brasil já constitui, em si, um
crime contra a Humanidade.
Agora, convocar a TV Globo a acompanhar passo a passo
toda a intervenção, não nos escritórios
da empresa, como seria lógico e sensato do ponto
de vista da fiscalização da Receita Federal,
mas na própria Loja, com centenas de policiais
armados com metralhadoras, é uma pirotecnia com
o evidente propósito de desviar a atenção
popular dos escândalos políticos em que
o governo está enfiado para outra direção.
Intervenções em prefeituras de adversários
políticos e a tática do gambá,
de jogar sujeira para todo o lado, vão exatamente
nesta mesma direção.
2. Multiplicidade de CPIs com ampla cobertura
da TV paraestatal. Num primeiro momento até ficamos
a refletir: a TV Globo, a exemplo do que aconteceu
no escândalo PC Farias/Collor de Mello, começa
a abandonar o barco. Com um pouco mais de atenção
vemos que estão é desviando o foco. Centram
suas baterias no Congresso Nacional, apontam minuciosamente
irregularidades em contas e atos de parlamentares mas
livram o Palácio do Planalto, tiram Lula da Silva,
o criador de toda esta encrenca, do foco da crise.
A TV Globo sabe trabalhar e faz uma cobertura impecável
do que ocorre nas CPIs instaladas, mas edita cautelosamente
sua reportagem apresentando o governo Lula, seus discursos
e realizações em momentos
e blocos estanques, distanciados daqueles das CPIs
que, ao fim e ao cabo, se forem a fundo e sério
como a Nação deseja, chegarão precisamente
a Lula da Silva.
3. Preservação da economia assassina.
Ocorreu uma reunião com todos os partidos políticos,
líderes empresariais e militares em local neutro
em Brasília com vistas a manter o encaminhamento
da economia blindado contra a crise política
que engolfa a República. Já houve um grande
acordo e, aconteça o que acontecer no campo político,
os caciques da economia são unânimes em
apoiar o encaminhamento fratricida de Meirelles, Palocci
e Paulo Bernardo. Mesmo na tribuna do Senado lideranças
de todos os partidos de centro e direita (PFL, PSDB,
PT, PP, PL, PMDB, etc.) insistem que a única
coisa que está dando certo (SIC, pelo amor de
Deus!) é a política econômica do
ministro Palocci e do presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles. Toda a direita, do PT ao PP, insiste na tese
da privatização do Banco Central do Brasil
e a última reunião do grupo terrorista
institucional conhecido como COPOM, optou por manter
as mais elevadas taxas de juros do planeta Terra apesar
da penúria em que vive a maior parte desta Nação.
A prioridade deles é manter a inflação
sob controle, ainda que o preço a ser pago seja
a quase total paralisia da atividade econômica
brasileira e o mais escandaloso aviltamento salarial
da história republicana.
A Justiça age em direção contrária
às CPIs
Marcos Valério, Sílvio Pereira e Delúbio
Soares abusam da paciência da CPMI com as blindagens
a eles outorgadas pelo STF. O relator da CPMI dos Correios,
já impaciente com tantos silêncios, mentiras
e contradições chegou mesmo a ler um trecho
da primeira das Catilinárias antes
do depoimento de Delúbio Soares que, aparentando
estar drogado, ria muito, mandava acenos e respondia
aos que o inquiriam com voz roufenha afetando, uma atenção
completamente embotada. Deviam fazer um exame de dopping
em quem vai depor. Esses caras fizeram pouco caso do
Parlamento, por orientação do Ministro
da Justiça do governo Lula e com o apoio do mecanismo
conhecido como hábeas corpus preventivo
outorgado pelo STF. Até a Justiça atrapalha
a prática da Justiça neste país...
Forças Armadas ainda a pão e água
Em 2004 o então Ministro da Defesa, José
Viegas, após consultar Lula e a equipe econômica,
concedeu um reajuste pífio de 10% prometendo
para março deste ano mais 23% (que o pleito era
de 33%). Viegas caiu, o Vice-Presidente da República
acumula funções de Ministro da Defesa
e agora muda a oferta: 3% a partir do próximo
mês e mais 2% em janeiro de 2006.
Como este governinho corrupto, com malas e mais malas
de dinheiro para cima e para baixo, com direito até
a cuecas recheadas de dólares, quer convencer
os militares que a prática da justiça
salarial significaria uma quebra nos cofres públicos?
Com perdas superiores a 300% nos últimos 10 anos
os militares estão meramente sobrevivendo e,
a se manter a loucura como guia econômico deste
país as mães, filhas, irmãs e esposas
de militares prometem uma manifestação
gigantesca no 7 de Setembro.
A situação brasileira está se
assemelhando a uma gigantesca panela de pressão.
Toda esta pressão, em algum momento, inevitavelmente,
explodirá.
Lázaro Curvêlo Chaves 21/07/2005